Livro I, Cap. 1 — O Conhecimento de Deus e o Conhecimento de Nós Mesmos
A dupla sabedoria e sua inseparável conexão
Quase toda a soma da nossa sabedoria — que merece ser tida por verdadeira e sólida sabedoria — consiste de duas partes: o conhecimento de Deus e o conhecimento de nós mesmos. Mas como ambas estão ligadas por muitos vínculos, não é fácil discernir qual delas precede e dá origem à outra.
De um lado, ninguém pode contemplar a si mesmo sem imediatamente voltar os pensamentos para Deus, em quem vive e se move. Pois não é possível que o homem chegue ao conhecimento claro de si mesmo sem antes ter contemplado o rosto de Deus, e então descer da contemplação de Deus à contemplação de si.
Porque nós nunca julgamos bem de nós mesmos enquanto não consultamos o padrão de toda a justiça e sabedoria. É assim que a consciência se eleva à dignidade do tribunal. E se não é posto ante o face de Deus, ninguém se atreve a julgar com seriedade de si mesmo.
Por isso, a consciência da nossa miséria nos impele a buscar Deus. E quem contemplou a glória de Deus por um momento logo aprende o quanto era soberba e nula a sua própria excelência.
Assim, pela dupla porta do conhecimento de Deus e do conhecimento de nós mesmos entra-se no templo da verdadeira sabedoria.
Quase toda a soma da nossa sabedoria — que merece ser tida por verdadeira e sólida sabedoria — consiste de duas partes: o conhecimento de Deus e o conhecimento de nós mesmos. Mas como ambas estão ligadas por muitos vínculos, não é fácil discernir qual delas precede e dá origem à outra.
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